
“Qual o sentido de caminhar junto, se não vai lutar junto pelos sonhos do outro? Se eu estou com você, pense:nós vamos entrar e vencer essa guerra juntos. Se você se juntou com alguém não torne sua vida separada”.
Caboclo Roxo
Em tempos onde o sonhar junto é dificultoso, Caboclo Roxo nos convida a despertar o senso comunitário. A colonialidade esvaziou o sentido do nós e supervalorizou o sentido do “eu”, diminuindo as possibilidades de desenvolvimento de sonhos coletivos, despotencializando relações e amizades e trocando o senso de cooperação pelo de individualismo e rivalidade. A contemporaneidade incutiu na ideia de liberdade e “mente aberta”, um sentimento de frieza, de passividade, de isenção de responsabilidade, quando a relação de fato pede presença. Temos o patriarcado que usa o “junto” como forma de manipulação e o neutro, que crítico à forma de usar o “junto”, prefere se abster da realidade para se casar com a idealização de si e do outro.
Hoje, raramente as pessoas sabem por quê, por quem ou como lutar juntas e essa é uma perda inestimável para a nossa evolução espiritual, tema que está sempre na mira dos mestres e guias ancestrais que ancoram a Escola Natural de Saberes Ancestrais e confluem para ela seus saberes de retomada.
Lutar junto requer escuta e autoconhecimento para a dosagem da presença e da ausência, em momentos nem sempre favoráveis. Não basta dizer: “Vamos abrir agora!”. Não é uma questão de convencimento do outro. Há que se observar muito bem todo o sistêmico que envolve a situação, para entender o modo de dizer ou de não dizer. Porque às vezes não dizer para o outro no momento que se deseja dizer, quando o outro não está disponível, é também lutar junto e mostrar presença, na atitude de fazer algo que está mais a frente, de se construir algum tipo de cuidado em outro momento.
Caboclo Roxo nos convida à retirada do olhar da depreciação para se contruir algo maior, mais comunitarizado, com os tempos curtos, médios e longos interligados entre si, como a floresta o faz constantemente.