Qual o sentido mais espiritual e profundo por trás do padê para Pombagira?

Ao longo da história e devido a construção cultural de inúmeros preconceitos ligados à Pombagira, suas oferendas ficaram associadas a um campo raso de “barganhas” e trocas. Como se Pombagira pudesse realizar qualquer desejo do ser humano em troca de uma bebida ou outro item associado aos seus fundamentos e energias.

Porém, o que muitas pessoas não compreendem ainda é que as Oferendas são, na verdade, uma forma de comunicação e de alimentação, através da qual falamos com e nutrimos determinada energia em nossa vida. A Oferenda que mais vale à pena não é aquela em que buscamos atingir o outro, mas sim aquela que “irriga” a nossa própria Terra. Se nossa ancestralidade é nossa raiz, nós não podemos Arvorescer sem adubá-la.

A cada ancestral alimentado, nutrimos diferentes aspectos e dimensões da nossa Jornada. Ao alimentarmos Pombagira através da ritualística de preparação de um padê, estamos alimentando os canais da manifestação, da potência de realização, da transformação, da coragem, da libido, da sustentação de nossos desejos em Terra, da autonomia…E a melhor Pombagira que devemos alimentar é a nossa própria.

Quando nossas energias estão alimentadas, a nossa vida flui com mais sustentação, axé, facilidade para remover desafios, clareza e serenidade para superar as adversidades. Não existe melhor blindagem do que ter raízes fortes e sadias. Por isso alimentar Pombagira é um ato de vinculação ancestral com sua força primal, um chamamento para a ativação de muitos mistérios em nossa caminhada e um ato de geração de saúde para todo o nosso sistema: físico, espiritual, ancestral ♥🤲🏾

 

Por Mariayne Nana

Fundadora da Escola Natural de Saberes Ancestrais | @escolanaturaldesaberes